
No dia 09/09/2008 descobri que estava grávida. Na hora não percebi, mas algo em mim tinha mudado para sempre. Depois que o enjôo passou, a gravidez foi deliciosa. Paparicada por todos, sempre estava entretida com assuntos agradáveis; passeios, compras, planos… Mas, às vezes eu fechava os olhos e me perguntava: Será que serei uma boa mãe? Não chegava a ser insegurança, pois, na verdade, eu ainda não sabia o tamanho da responsabilidade que tinha assumido, era apenas uma intuição de que não seria tão fácil.

Nas primeiras horas do dia 20/05/2009, ela nasceu. Ao ouvir aquele lindo choro, uma lágrima, apenas uma lágrima escorreu dos meus olhos, mas a verdadeira emoção ainda não tinha chegado. Fiquei sem saber o que estava acontecendo e pensei: Meu Deus é minha filha! Eu preciso sentir alguma coisa!

A enfermeira aproximou-se com ela no colo e colocou-a bem pertinho do meu rosto. Eu fechei os olhos, respirei bem fundo e senti o cheiro dela. De repente meu corpo foi invadido por uma sensação inexplicável. Senti o amor entrando pelas minhas vias aereas percorrendo o corpo todo até que chegou ao meu coração. Naquele momento tive a certeza de que tinha nascido para ser mãe, mas ainda não era por completo.

Amamentei minha filha exclusivamente no peito durante seis maravilhosos meses. Nesse período fiquei em casa unicamente por conta dela. Foram momentos inesquecíveis em que pude, aos poucos, começar a ter noção do que é ser mãe.

Quando ela completou 8 meses tive que viajar a trabalho e quando voltei ela não quis mais mamar no peito. Não fiquei triste nem me senti culpada, pois tinha a certeza de que dei o melhor de mim nessa linda tarefa que é amamentar.

Passada essa fase de entrega total, tive que voltar a trabalhar, mas aquela vida de advogada não servia mais para mim, eu queria estar no universo materno até no meu trabalho. Aos poucos a Dona Cegonha (minha loja) foi surgindo na minha vida.

Quando minha filha completou um ano tentei fazer um balanço do que tinha vivido até ali para saber se eu realmente me sentia mãe de verdade. Ela estava ali, na minha frente; linda, fofa e saudável, mas o ponto de interrogação continuou na minha cabeça.

Entrei em uma fase de muita dedicação ao trabalho. Enfrentei muitas dificuldades por estar longe dela. Sofria muito, pois minha cabeça estava ali resolvendo mil problemas, tomando sérias decisões, mas meu coração estava com ela.

Um dia, quando minha pequena já tinha 1 ano e cinco meses, cheguei em casa nervosa e irritada, com muitos problemas gravíssimos para resolver. Era uma fase ruim no trabalho, em casa e em mim. Entrei no quarto e joguei a minha bolsa com força na cama, sentei no chão e chorando pensei: Eu não vou agüentar! Quando levantei os olhos ela estava entrando pela porta toda descabelada, com a chupeta na boca e o paninho na mão me olhando com uma cara de assustada. Sem saber o que estava fazendo veio bem pertinho de mim e me abraçou. Eu mergulhei naquele abraço e outra vez o cheirinho dela me invadiu. Naquele instante finalmente entendi o real sentido de ser mãe. Percebi a responsabilidade apaixonante que eu tinha assumido. A responsabilidade do exemplo!

Se todos os dias da minha vida eu chegasse em casa com aquele semblante de desespero e de fracasso, o que eu iria ensinar para ela? Não, eu não podia ser mais quem eu sempre fui. Eu já era outra pessoa, só não tinha me dado conta. A partir daquele dia assumi as rédeas da minha vida e decidi que seria o melhor exemplo que eu pudesse ser para minha filha. Num momento de dificuldade, a mãe que estava encapsulada dentro de mim eclodiu. Era mês de outubro, mas para mim parecia 31 de dezembro. Comemorei, abracei e beijei as pessoas que eu amo. Fiz uma lista mental de tudo que queria realizar e comecei uma nova vida, a vida de mãe.

Sou Marcela Lima Farias De Lamônica Freire, MÃE da Maitê, esposa do Humberto, filha da Eleuza e do Everaldo, irmã do André, cristã de ideal espírita, advogada, empresária e agora blogueira.
Muito prazer!
